Death Stranding 2: On The Beach – Análise completa do novo épico de Hideo Kojima

Death Stranding 2: On The Beach é tudo o que você esperaria de uma sequência dirigida por Hideo Kojima: denso, estranho, cinematográfico, emocionalmente complexo e — para alguns — profundamente satisfatório. Para outros, será um teste de paciência. Este novo título não se preocupa em agradar quem não gostou do original. Na verdade, ele pressupõe duas coisas sobre você: que jogou Death Stranding e que gostou da experiência a ponto de querer muito mais dela.
Se você se encaixa nesse perfil, então pode esperar de 30 a 50 horas de uma jornada que mistura contemplação, desafio, surrealismo e conexão emocional. Caso contrário, prepare-se: você pode odiar cada segundo.
Do que se trata Death Stranding 2: On The Beach?
Tentar resumir o universo de Death Stranding não é tarefa fácil — nem mesmo o jogo consegue fazer isso direito em sua recapitulação interna. Mas aqui vai um esforço: o mundo de Death Stranding é um lugar onde a fronteira entre vida e morte foi quebrada. Entidades conhecidas como BTs (Beached Things) rondam o planeta, provocando explosões mortais sempre que entram em contato com os vivos.
O protagonista Sam Porter Bridges (Norman Reedus), é um repatriado — ele pode morrer, mas sempre retorna da morte. Isso o torna essencial para reconectar os últimos fragmentos da humanidade por meio da Rede Quiral, uma espécie de internet do além.
No primeiro jogo, Sam reconectou os Estados Unidos. Agora, em On The Beach, ele vive no México com uma garotinha — antes conhecida como BB (Bridge Baby) — que finalmente teve sua liberdade. Mas a tranquilidade dura pouco.
Uma nova missão: salvar a Austrália
Depois de um evento devastador, Sam é recrutado por Fragile (Léa Seydoux), sua aliada do jogo anterior, para liderar uma nova missão: reconectar a Austrália à Rede Quiral e impedir uma nova extinção.
O jogador parte, então, para atravessar um vasto mundo aberto que representa o continente australiano, enfrentando terrenos diversos — desertos, florestas, montanhas e pântanos — enquanto carrega cargas, interage com novos personagens excêntricos e enfrenta ameaças sobrenaturais e humanas.
O gameplay: entre o zen e o desesperador
Apesar dos trailers cheios de monstros, explosões e cenas cinematográficas, a maior parte da jogabilidade se resume à travessia do mundo. O jogador passa a maior parte do tempo andando, dirigindo ou construindo estruturas para facilitar o transporte de cargas entre cidades isoladas.
E é aqui que Death Stranding 2 brilha — ou entedia, dependendo da sua expectativa. As entregas não são simples: você gerencia peso, equilíbrio, rotas e perigos do terreno. Cada pacote precisa ser cuidadosamente empilhado nas costas de Sam. Cair pode significar perder horas de progresso.
A conexão com outros jogadores também é central. Estruturas criadas por você aparecem no mundo de outras pessoas e vice-versa. A colaboração invisível reforça a temática da franquia: estamos todos tentando nos conectar em um mundo fragmentado.
Visual, trilha sonora e narrativa: Kojima em sua melhor forma
O visual de Death Stranding 2 é impressionante. O uso da engine Decima entrega ambientes realistas, biomas ricos e detalhes visuais que aumentam a imersão. A trilha sonora atmosférica, que mistura pós-rock, eletrônico e composições minimalistas, eleva cada momento de travessia e descoberta.
A narrativa continua absurda, enigmática e cheia de camadas. A história mistura ficção científica, filosofia, drama familiar e política com uma ousadia que só Kojima conseguiria fazer funcionar. Nem tudo faz sentido — e tudo bem. O importante aqui é a experiência emocional e simbólica, não a lógica linear.
Conclusão: para quem o jogo é — e para quem definitivamente não é
Death Stranding 2: On The Beach é um jogo que desafia convenções. Ele se recusa a ser apenas “divertido”. Em vez disso, convida o jogador a entrar em um estado meditativo, a refletir sobre isolamento, conexão e reconstrução. Se você curtiu o primeiro jogo, esta sequência leva tudo a um novo nível. Se você não gostou de Death Stranding, pode considerar passar longe desta continuação — ela não quer te convencer do contrário.
Para os fãs, trata-se de um dos experimentos narrativos mais ambiciosos da década. Para os detratores, será apenas mais um “simulador de entregas” esquisito demais.