Daryl Dixon retorna em temporada intensa, mas ainda preso a velhos vícios narrativos

Desde que ganhou sua própria série derivada, The Walking Dead: Daryl Dixon tornou-se uma das peças centrais na expansão do universo criado por Robert Kirkman. Ao longo das duas primeiras temporadas, a produção conseguiu equilibrar o peso da ação brutal com a sensibilidade emocional de seu protagonista, interpretado por Norman Reedus, um dos personagens mais queridos e icônicos de toda a franquia. O carisma de Daryl sempre residiu em sua dualidade: um sobrevivente calejado, durão, mas que nunca deixa de demonstrar compaixão em momentos decisivos. Essa mistura continua sendo o alicerce da terceira temporada, agora ambientada na Espanha, mas nem por isso a série consegue escapar de velhos problemas, principalmente o excesso de repetições em sua estrutura narrativa.
Uma introdução devastadora na Inglaterra
Antes mesmo de desembarcar em terras espanholas, a temporada abre com um episódio impactante que se passa na Inglaterra, talvez o cenário mais desolador já mostrado no universo de The Walking Dead. A cidade vazia, marcada por ruínas e silêncio, estabelece um clima sombrio e melancólico que remete ao início da série original. É nesse contexto que vemos Daryl e Carol (Melissa McBride) tentando sobreviver em uma paisagem praticamente sem sinais de humanidade. O episódio inicial não apenas cria uma atmosfera sufocante, como também oferece um ponto de transição para justificar a chegada dos personagens à Espanha, onde a trama principal se desenrola.
A velha fórmula que ainda funciona
Uma vez inseridos em solo espanhol, a série retoma seu modelo narrativo tradicional: Daryl encontra novos grupos, cria laços temporários, se envolve em conflitos inevitáveis e acaba preso em mais um ciclo de violência. Essa estrutura, apesar de previsível, continua funcionando em boa parte porque a produção aposta em sua maior força — explorar como diferentes comunidades ao redor do mundo se adaptaram ao apocalipse zumbi. Cada encontro revela costumes distintos, formas de governo e relações sociais que refletem tanto a resiliência quanto a crueldade humana diante do colapso civilizatório.
Ao todo, pelo menos seis novas comunidades são apresentadas nesta temporada. Cada uma tem características próprias, desde práticas culturais singulares até abordagens estratégicas sobre como usar (ou manipular) os mortos-vivos para manter o poder. Como sempre, a série reforça a máxima já consagrada: mais perigosos do que os zumbis são os vivos, capazes de recorrer à violência, manipulação e até rituais bizarros para garantir a própria sobrevivência.
A força da dupla Daryl e Carol
Outro destaque positivo é a dinâmica entre Daryl e Carol. A parceria entre os dois sempre foi um dos pontos altos da franquia, e aqui ela encontra um equilíbrio eficiente. Daryl representa a força bruta, alguém disposto a enfrentar qualquer obstáculo com coragem, enquanto Carol atua como a mente estratégica, capaz de usar palavras e inteligência para evitar — ou redirecionar — conflitos. Essa dualidade fortalece a trama, impedindo que Daryl se torne um protagonista unilateral e, ao mesmo tempo, dando à narrativa um frescor emocional que equilibra ação e introspecção.
A Espanha como palco renovador
A escolha da Espanha como novo cenário mostra-se um grande acerto. A ambientação oferece um contraste de paisagens e locações que enriquecem visualmente a série: desde grandes cidades em ruínas até praias ensolaradas e desertos áridos. Essa variedade amplia a escala da narrativa e ajuda a manter a sensação de novidade em um universo que poderia facilmente se tornar repetitivo. Além disso, os novos personagens que surgem nesses espaços são bem trabalhados, com motivações claras e histórias que geram empatia ou repulsa — mas nunca indiferença.
O peso da previsibilidade
No entanto, a série não consegue escapar de uma de suas maiores fraquezas: a previsibilidade. O clímax da temporada sofre por trilhar caminhos óbvios, reforçados pela confirmação de que o quarto ano será o último. Essa limitação narrativa gera a sensação de que alguns arcos são apressados ou construídos apenas como ponte para o encerramento da história. Ainda que a emoção e a tensão estejam presentes, a sensação de déjà vu pode frustrar espectadores que esperavam uma ousadia maior na reta final.
Conclusão crítica
The Walking Dead: Daryl Dixon – Temporada 3 prova que a franquia ainda tem fôlego, principalmente quando aposta em explorar novas culturas, cenários inéditos e a química imbatível entre seus protagonistas. A produção consegue entregar momentos de intensidade e reflexão, sem deixar de lado o espetáculo visual que cativa os fãs desde a série original. No entanto, o excesso de repetição em sua fórmula narrativa impede que a temporada alcance algo realmente inovador.
Daryl Dixon continua sendo um herói complexo e magnético, mas, à medida que o desfecho se aproxima, fica a pergunta: a série conseguirá romper seus próprios padrões para entregar um final memorável, ou ficará marcada por ser mais uma variação de um enredo que já conhecemos bem? A terceira temporada é sólida e visualmente impressionante, mas deixa claro que a sobrevivência do universo The Walking Dead não depende apenas de seus cenários e personagens carismáticos — depende, acima de tudo, da coragem de arriscar o novo em um mundo onde a previsibilidade pode ser tão letal quanto um ataque de zumbis.