Bolsonaro e Eduardo são indiciados pela PF por coação em ação penal do golpe

Bolsonaro e Eduardo Bolsonaro indiciados pela PF
O cenário político brasileiro foi novamente abalado. O ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) e seu filho Eduardo Bolsonaro (PL) foram indiciados pela Polícia Federal (PF) nesta quarta-feira (20). Ambos são acusados de coação no curso do processo e de tentativa de abolição do Estado Democrático de Direito, ao buscar interferir diretamente nas investigações ligadas à Ação Penal n.º 2668, que tramita no Supremo Tribunal Federal (STF).
Segundo o relatório da PF, os dois atuaram em conjunto com o pastor Silas Malafaia e o jornalista Paulo Figueiredo, em uma tentativa coordenada de influenciar decisões judiciais e fragilizar as instituições brasileiras.
Eduardo Bolsonaro e as articulações internacionais
O inquérito aponta que Eduardo Bolsonaro se movimentou nos Estados Unidos em busca de sanções contra agentes do Estado brasileiro, incluindo ministros do STF, a Procuradoria-Geral da República e a Polícia Federal.
Essa atitude levanta um ponto crítico: até que ponto parlamentares brasileiros podem recorrer a pressões externas para intervir em disputas políticas internas? Para muitos analistas, trata-se de uma ameaça à soberania nacional e um risco de ingerência internacional em temas que deveriam ser resolvidos dentro do território brasileiro.
Conversas de Jair Bolsonaro revelam tentativas de burlar decisões
A apreensão e análise do celular do ex-presidente revelaram mensagens relevantes com Eduardo Bolsonaro. Os investigadores descobriram que Jair Bolsonaro teria usado redes sociais de terceiros para burlar proibições judiciais impostas pelo STF, principalmente ligadas à disseminação de conteúdos contra o ministro Alexandre de Moraes.
No dia 3 de agosto, data marcada por manifestações em apoio ao ex-presidente, houve grande movimentação de arquivos e vídeos atacando as instituições, o que reforça a tese da PF de que houve planejamento estratégico para manter a mobilização digital mesmo sob restrições legais.
Silas Malafaia e Paulo Figueiredo também entram no radar
A investigação também atingiu aliados importantes do bolsonarismo. O pastor Silas Malafaia, figura central na mobilização social e digital, foi alvo de mandado de busca ao desembarcar no Aeroporto do Galeão, no Rio de Janeiro, após viagem a Lisboa.
Já Paulo Figueiredo, jornalista e influenciador, foi citado como peça-chave na disseminação de informações e apoio ideológico às movimentações do grupo. Ambos foram inseridos no mesmo contexto de ações voltadas a enfraquecer o Estado Democrático de Direito.
Impactos políticos e riscos para 2026
O indiciamento marca um momento delicado para Jair Bolsonaro, que já enfrenta outros processos e pode ver sua chance de disputar as eleições de 2026 cada vez mais distante.
Para Eduardo Bolsonaro, a acusação tem potencial de manchar sua imagem política e diplomática, já que sua atuação internacional pode ser vista como um movimento contra os interesses do próprio país.
Esse caso também reacende o debate sobre os limites da liberdade de expressão e o uso de redes sociais como armas políticas. A manipulação de plataformas digitais para manter narrativas ativas, mesmo sob ordens judiciais, é um desafio crescente para o sistema democrático.
Conclusão crítica
O indiciamento de Jair e Eduardo Bolsonaro pela PF é mais do que um episódio jurídico: é um teste para a democracia brasileira. Se as acusações forem confirmadas, ficará evidente como lideranças políticas podem tentar minar instituições e manipular a opinião pública em prol de interesses pessoais.
Esse episódio mostra que a defesa da democracia exige firmeza do Judiciário, vigilância da sociedade civil e responsabilidade dos representantes eleitos. O Brasil precisa se posicionar de forma clara contra práticas que visam enfraquecer sua soberania, suas instituições e o próprio Estado Democrático de Direito.
O desfecho deste processo terá impacto não apenas no futuro da família Bolsonaro, mas também no rumo da política nacional nos próximos anos.