Quarteto Fantástico: Primeiros Passos é um espetáculo visual, mas ainda preso à fórmula do MCU — Crítica com análise completa

A estreia de Quarteto Fantástico: Primeiros Passos marca um momento decisivo para o futuro do Universo Cinematográfico Marvel. Sendo o pontapé da Fase 6 do MCU, o filme chega carregado de expectativas, principalmente por trazer de volta a primeira família da Marvel em uma tentativa — mais uma vez — de acertar a fórmula que nunca funcionou completamente no cinema. Com um elenco de peso e uma estética vibrante que remete à Era de Prata dos quadrinhos, o longa tenta equilibrar reverência ao material original com o apelo blockbuster contemporâneo.

Sob a direção de Matt Shakman, o filme acerta em cheio no visual. A Terra-828 é um cenário retrofuturista deslumbrante, com design de produção estilizado que evoca tanto nostalgia quanto inovação. A presença de personagens icônicos como o Surfista Prateado e Galactus adiciona uma dose épica à narrativa, especialmente para os fãs mais antigos que esperavam por versões mais fiéis desses vilões. No entanto, por mais que o filme brilhe na superfície, há uma cautela narrativa que impede Primeiros Passos de atingir seu verdadeiro potencial.

O elenco funciona, mas o roteiro hesita

Pedro Pascal como Reed Richards é, sem dúvida, uma escolha inteligente: carismático, inteligente e com uma presença que segura bem o protagonismo. Vanessa Kirby entrega uma Sue Storm mais sólida e independente, enquanto Ebon Moss-Bachrach adiciona peso emocional ao Coisa (Ben Grimm). Já Joseph Quinn, como o impulsivo Johnny Storm, traz uma energia jovial que equilibra bem o grupo. O elenco principal tem química e momentos de destaque, mas o roteiro não os explora com a profundidade necessária.

A trama se desenvolve de maneira linear, segura demais. A história de origem é tratada com pressa, como se houvesse um medo de perder o público mais impaciente. Os conflitos são previsíveis e os momentos de maior tensão carecem de impacto real, devido à dependência do humor forçado e da estrutura narrativa típica da Marvel. O próprio embate com Galactus, embora visualmente impressionante, carece de construção dramática — tornando-o mais um obstáculo genérico do que uma ameaça realmente memorável.

As críticas iniciais dividem opiniões

Segundo William Bibbiani, do The Wrap, o filme se destaca justamente por resgatar a essência dos super-heróis clássicos: “Matt Shakman fez algo que a Marvel Studios não faz mais tão bem. Ele fez um filme de super-herói que abraça a parte ‘super’. E a parte ‘herói’. E a parte ‘filme’.” A crítica ressalta a tentativa de trazer de volta o encantamento e a grandiosidade dos quadrinhos antigos, algo que o MCU perdeu ao longo de suas fases mais recentes.

Por outro lado, David Ehrlich, do IndieWire, vê em Primeiros Passos uma oportunidade desperdiçada. “O céu é o limite até o Quarteto Fantástico deixar a atmosfera da Terra, momento em que eles imediatamente esbarram no mesmo teto baixo que faz com que todos os grandes filmes da Marvel pareçam não ter para onde crescer.” Segundo ele, o filme sofre do mesmo mal de outros títulos recentes: começa com ambição, mas logo recua para os limites já conhecidos e saturados do universo Marvel.

O estilo compensa a falta de substância?

Com 88% de aprovação no Rotten Tomatoes, Quarteto Fantástico: Primeiros Passos tem, de fato, recebido críticas mais positivas do que os lançamentos anteriores do estúdio — como As Marvels e Homem-Formiga e a Vespa: Quantumania. Isso se deve, em parte, à tentativa de inovar visualmente e ao cuidado com a estética do filme. Entretanto, o excesso de cautela do roteiro e o apego ao modelo já esgotado da Marvel impedem que a narrativa se destaque de forma significativa.

A Marvel tenta agradar a todos e, no processo, continua fazendo filmes que não satisfazem completamente ninguém. Há lampejos de ousadia, como a ambientação alternativa e a escolha de um vilão clássico, mas tudo é diluído por uma preocupação em não sair demais da curva.

Conclusão: um passo elegante, mas não ousado

Quarteto Fantástico: Primeiros Passos é, sem dúvida, uma melhoria em relação às tentativas anteriores de adaptar o grupo para o cinema. Tem charme, estilo e um elenco competente. No entanto, ainda falta ousadia. O filme acerta ao resgatar o brilho dos quadrinhos clássicos, mas falha ao não se libertar da fórmula previsível que tem limitado o MCU nos últimos anos.

Crítica final

Visualmente deslumbrante, mas emocionalmente raso, Quarteto Fantástico: Primeiros Passos é como uma vitrine bonita com poucas novidades dentro. O filme entretém, mas não revoluciona. Se o objetivo era inaugurar a Fase 6 com força total, o resultado final parece mais um ensaio cuidadoso do que uma verdadeira reinvenção. É hora da Marvel parar de apenas recalibrar sua fórmula e começar, de fato, a reinventá-la. O público está pronto para algo novo — mas o estúdio, aparentemente, ainda não.

Deixe um comentário

GG Interativo é o seu portal definitivo sobre games, séries, filmes e reviews.

Institucional

GG Interativo® 2025 – Todos os direitos reservados.