Míssil iraniano atinge hospital em Israel e escancara contradições da política militar israelense

Na madrugada desta quinta-feira (19), um míssil lançado pelo Irã atingiu o hospital Soroka, o maior centro médico da região sul de Israel, localizado na cidade de Beersheba. De acordo com o Ministério da Saúde israelense, a estrutura sofreu danos extensos e pelo menos 71 pessoas ficaram feridas.

O governo israelense rapidamente acusou o Irã de atacar deliberadamente uma instalação civil, o que considerou uma grave violação do direito internacional. Por outro lado, autoridades iranianas afirmaram que os alvos eram instalações militares próximas e que o dano ao hospital foi colateral. O episódio reacende o debate sobre os limites éticos e morais dos ataques em zonas de conflito.

Quando a vítima repete os atos do agressor

A reação israelense diante do ataque ao hospital Soroka chamou atenção pela intensidade das críticas e pelo apelo à comunidade internacional. No entanto, esse mesmo governo parece esquecer — ou omitir — que utilizou táticas semelhantes durante suas ofensivas militares na Faixa de Gaza.

Israel destruiu, ao longo dos anos, hospitais, escolas, campos de refugiados e abrigos civis sob a justificativa de que seriam utilizados por grupos armados, como o Hamas. A narrativa oficial de Tel Aviv sempre insistiu que os alvos eram “militares disfarçados de civis” ou “infraestruturas usadas como escudo humano”.

O mesmo argumento que Israel agora condena

A ironia é evidente: o mesmo discurso utilizado por Israel em Gaza agora é repetido pelo Irã, e Tel Aviv reage com indignação. A diferença está apenas na autoria e na geografia do ataque, mas a essência — atingir civis alegando presença militar nas proximidades — é a mesma.

Durante a última ofensiva em Gaza, hospitais como o Al-Shifa foram alvos de bombardeios devastadores. Escolas administradas pela ONU também foram atingidas, assim como campos de refugiados e estruturas civis essenciais para a sobrevivência da população. O impacto humanitário foi catastrófico, com milhares de mortos e feridos, incluindo crianças, mulheres e profissionais da saúde.

Dois pesos, duas medidas?

A retórica de Israel sempre encontrou respaldo em grande parte da mídia ocidental e de governos aliados. Os ataques eram “necessários”, “cirúrgicos” ou “involuntários”. No entanto, ao sofrer um ataque semelhante em seu território, o governo israelense exige uma resposta enérgica da comunidade internacional e rotula o Irã como violador das convenções de guerra.

A pergunta que fica é: por que os argumentos usados por Israel para justificar a destruição em Gaza não são aceitos quando utilizados por seus adversários? Será que a legalidade e a moralidade das ações bélicas variam de acordo com quem as pratica?

O ciclo da violência e a banalização do sofrimento civil

Com o hospital Soroka danificado por um míssil iraniano, Israel experimenta o que a população de Gaza viveu por anos: o terror, o medo e a dor de ver hospitais se tornando alvos de guerra. A escalada do conflito com o Irã coloca em xeque não apenas a segurança da região, mas também a consistência ética das políticas adotadas por ambos os lados.

Enquanto Israel se posiciona como vítima de ataques contra civis, não há como ignorar que aplicou a mesma lógica destrutiva contra uma população vulnerável e enclausurada por décadas.

Conclusão: o espelho da guerra reflete a própria imagem

O ataque ao hospital em Beersheba não é apenas mais um capítulo da tensão entre Irã e Israel. É, acima de tudo, um espelho cruel que reflete as contradições de uma guerra onde não existem inocentes entre os que decidem os bombardeios.

Se Israel realmente deseja se apresentar como defensor de princípios humanitários, precisa reconhecer sua responsabilidade histórica nas tragédias vividas pelo povo palestino. A dor não tem lado. O sofrimento civil, seja em Tel Aviv ou em Gaza, clama por justiça — e não por hipocrisia.

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